Quem diria, São Paulo, que passaríamos por isso juntos?

Quem diria, São Paulo, que passaríamos por isso juntos?

Uso a data sempre como um marco, da minha vinda para a cidade e do seu aniversário. Desde o século passado, em 1993. Só que desta vez há muita coisa diferente acontecendo.

Vir para São Paulo na maioria das vezes é uma escolha natural, um chamado, uma atração. E sempre somos acolhidos de forma generosa e desafiadora, grandiosa e detalhista, intensa e delicada.

Desde o ano passado a cidade foi obrigada a se reinventar. Redesenhar seu transporte, seu consumo, seu entretenimento. Mais um desafio para a cidade que atrai pessoas e negócios, numa convergência de povos e culturas, de visões e de causas. E como as causas estiveram em destaque!

E como a cidade, fomos todos obrigados a aprender rapidamente com o desconhecido da pandemia, o fantasma do afastamento social, das portas fechadas, do consumo proibido.

Em janeiro tem vacina e tem a fase mais aguda da pandemia. Bem a sua cara, São Paulo, conflitante e convergente, fria e emotiva, acolhedora e implacável.

Muitos paulistanos não têm cuidado de você corretamente, aglomerando e negando o risco de continuidade, de vida e de negócios, de relações pessoais e profissionais, dos apertos de mão determinados e dos abraços afetuosos.

Que tenhamos mais consciência e cidadania, mais respeito e empatia. E que não esperemos “isso tudo passar” para agir. É urgente o combate às desigualdades. Do empreendedor com sua PME sufocada financeiramente, do jovem da comunidade sem acesso ao estudo remoto, da mão ou do pai de família sem perspectiva profissional em meio à pandemia.

Deixo aqui um agradecimento e uma provocação:

Obrigado São Paulo por me acolher, me desafiar, me ensinar. Por não me mostrar o caminho, mas permitir que eu criasse o meu, deixando as minhas pequenas marcas, as minhas singelas contribuições, meu micro legado.

E que todos os paulistanos, natos ou acolhidos, sejam protagonistas da urgente mudança que tanto precisamos: social, de empatia e atitude; e empresarial, com inovação e colaboração.

Publicado originalmente no LinkedIn.

E não é que ele chegou ao fim?

E não é que ele chegou ao fim?


2020 foi intenso!
Foi para todas as empresa do Brasil e do mundo, independente do porte ou segmento de atuação. E acredito que tenha sido assim para você e sua família. 

Foi um ano completamente atípico. Alguns de nós perderam pessoas queridas, outros foram contaminados, como eu, e venceram a doença. Mas todos sofremos com o medo do desconhecido, seja pelo temor de problemas de saúde, da possível perda do emprego, da perda do ensino dos nossos filhos, da nossa da qualidade de vida, da dificuldade de viver em isolamento, no confinamento de casa.

O Covid trouxe, junto com o medo e a incerteza, a oportunidade de fazermos diferente. Pois enfrentamos de frente o desafio. Entendemos que era necessária, ou melhor, que era obrigatória a mudança. Uma vez que ninguém havia previsto ou se preparado para algo assim, as soluções partiram de todos os lados. Então começamos a desenhar. Valia desenho feio, colorido, torto, reto, feito a mão ou no computador. Só não valia ficar inerte.
Todos os líderes foram desafiados e ao mesmo tempo impulsionados para a mudança, a inovação, a superação.

As empresas são um efervescente caldeirão de culturas, habilidades, competências e pontos de vista. Cada colaborador tem uma origem, um estilo, uma história, uma competência. Todas complementares. Isso os faz lidar de maneira distinta, diferente, frente às diversas situações que enfrentam. Aqui reside a beleza e a riqueza da diversidade. Cada um de nós é uma peça única e relevante dentro da operação, da solução.

Infelizmente, muitas empresas quebraram, muitos empregos deixaram de existir e muitos produtos e marcas desapareceram. O pequeno foi o que mais sofreu, não por falta de agilidade, mas por falta de recursos, principalmente financeiros, para atravessas o período mais severo, os primeiro três meses de pandemia.

Apesar disso, o varejo se reinventou, o e-commerce decolou de vez e as indústrias acharam uma forma de continuarem em operação. Claro que todos não fizemos nem o plano, nem o resultado, que planejamos para 2020. Mas com certeza, entregamos um 2020 melhor do que vislumbrávamos em maio e junho.


Agora é hora de consolidar o aprendizado e preparar o plano para 2021. Com a flexibilidade e a perseverança que aprendemos e desenvolvemos nos últimos nove meses.

Entendo cada ano que inicia como um caderno em branco. E de preferência, sem pauta, para não limitar o que faremos.

Sugiro que escreva a sua história em 2021 a caneta. Se errar, não apague. Destaque o erro para não repeti-lo e siga em frente. Não vamos acertar todas na vida. E tudo bem. Só precisamos lembrar onde erramos.


Agora é hora de recarregar as baterias, descansar e curtir a família. Ainda sem aglomeração. Estamos próximos da vacinação, mas tudo indica que teremos um janeiro com altas taxas de contágio. Por favor cuidem-se.


E tenha certeza, 2021 será tão emocionante como 2021. Só que mais seguro. É a minha previsão para os próximos 365 dias.

Alessandro Saade – Fundador dos Empreendedores Compulsivos, é também executivo, autor, professor, palestrante e mentor.  Possui mais de30 anos de experiência atuando com grandes empresas e startups brasileiras, tornando-se referência no universo do empreendedorismo no Brasil. Formado em Administração pela UVV-ES, com MBA em Marketing pela ESPM e mestrado em Comunicação e Mercados pela Cásper Líbero, especializou-se em Empreendedorismo pela Babson College e em Inovação por Berkeley. Atualmente é Superintendente Executivo do ESPRO, instituição sem fins lucrativos que há 40 anos oferece aos jovens brasileiros a formação para inserção no Mundo do Trabalho.

Artigo publicado originalmente na coluna Tenha Cicatrizes do Jornal Empresas & Negócios, em 31.12.2020.