É incrível fazer parte do #TimeEspro

 

Engraçado como a vida nos traz oportunidades interessantes quando menos esperamos. Em janeiro completei um ano na superintendência executiva do Espro – Ensino Social Profissionalizante, um dos mais deliciosos e arrojados desafios que recebi na minha vida.

Um ano de muito aprendizado num segmento que não estava no meu radar, apesar da minha extrema admiração pela causa da inclusão social por meio da formação e transformação do jovem para o mundo do trabalho.

Curioso que, mesmo sendo algo completamente diferente do que fazia, está 100% alinhado com meu propósito e minha visão de mundo, que levou à criação dos Empreendedores Compulsivos.

Ao longo de 2019 pude conhecer, entender e aprender a operação, as características do ambiente onde atuamos e a legislação da causa. Ainda falta muito, mas já evoluí bastante.

Fui também privilegiado por receber o que passei a chamar carinhosamente, desde o início, de Time Espro, não só pelo comprometimento e engajamento de todos, mas pelo brilho no olhar, vontade de fazer e capacidade de realizar.

Com esse Time entregamos um resultado acima do previsto no plano operacional de 2019, crescendo não só em número de adolescentes e jovens inseridos no mundo do trabalho, mas também em atendimentos e projetos sociais em todo o Brasil. Feito emblemático, num ano difícil, mas que ficou marcado por termos celebrado os 40 anos de existência da instituição.  

Os desafios para este ano não são menores. Precisamos focar e continuar crescendo em número de atendimentos e, com isso, aumentar o impacto de transformação social. Além disso, caminhar em direção da transformação digital, buscar novas formas de seguir a missão da instituição e melhorar ainda mais nossa atuação frente ao jovem, à sua família e à comunidade onde está inserido.

O Plano Estratégico que idealizamos para 2020, vem arrojado e com todo apoio do Conselho Diretor. Cheio de desafios, alguns já previstos em nosso planejamento, e outros novos, que entendo estarmos preparados para eles.

Mas para que possamos cumprir este plano, é necessário o comprometimento de todo o Time Espro, que certamente faz a diferença no impacto da vida dos nossos adolescentes e jovens espalhados pelo Brasil.

Da mesma forma, preciso que todos entendam e adotem os conceitos que reiteradamente divulguei ao longo de 2019: Resultado nas entregas, Ética na atuação, Agilidade na operação e Leveza nas relações. Precisamos ser “R.E.A.L”, conceito que incorporei, com autorização do Comitê de Inovação da Arcelor Mittal, onde tenho a honra de atuar como conselheiro.

Mesmo muito realizado nessa nova etapa à frente do Espro, confesso um dilema pessoal que tomou minha atenção no início deste período. Apesar de toda a transparência com o Conselho Diretor, sempre tive inquietação quanto à fronteira da minha condição de fundador dos Compulsivos, palestrante e mentor, complementarmente à atuação como superintendente executivo do Espro. Há mais de 15 anos criei e homologuei uma metodologia de desenho, validação e aceleração de negócios para PMEs – Pequenas e Médias Empresas, utilizada nos MBAs da BSP e da ESPM, pelo Sebrae e, principalmente, pelos mentores habilitados nos Empreendedores Compulsivos. A iniciativa já impactou mais de 30 mil empreendedores e negócios em todo o país.

Faço questão de reforçar que a minha vinda para o Espro me tirou da operação e fui direcionado ao conselho, mas atuar como palestrante e mentor, mesmo em menor volume é uma das formas de recarregar a energia, que certamente me fortalece na posição de superintendente e me deixa atualizado com as tendências de mercado.

Ao longo do ano percebi o óbvio. Que além de não existir conflito, já que são segmentos e públicos distintos, há uma enorme sinergia entre ambos, pois é impossível dissociar o mundo do trabalho dos jovens do empreendedorismo e da inovação, onde os Compulsivos atuam capacitando e transformando PMEs por todo o país.

Quero, ainda, compartilhar com vocês duas frases, que entre outras poucas, funcionam como um credo, e me acompanham por toda a vida.

A primeira é que “Sempre existe alguém começando algo novo”. Uma verdade. E a segunda, “Ninguém faz nada sozinho”. Essa foi mais dolorosa. Como leonino e empreendedor, algumas cicatrizes me fizeram entender o poder, o valor e a beleza da colaboração, que nada mais é que a mistura de visões e competências.

Baterias renovadas, coração tranquilo e alma plena, só posso agradecer todo o Time pela acolhida que recebi e reiterar o meu compromisso com cada um de vocês, e com a nossa causa.

Liderar a todos na direção de um novo tempo, com o Espro transformado em processos e formatos, mas imutável na crença e no propósito é o meu objetivo atual.

 

 

Artigo publicado originalmente no Linkedin em fevereiro de 2020.

Sawubona – a essência da comunicação das tradições africanas para a web

A expressão “Sawubona!” é um cumprimento existente na África do Sul que significa “Eu vejo você. Você é importante para mim”. Segundo a ética Ubuntu, você só existe por meio de outra pessoa. É a mais bela e profunda demonstração de atenção e respeito. Não há decepção ou desconforto maior – para não dizer humilhação –  que não ser percebido por outro no círculo de relações pessoais africano.

Se trouxermos para a nossa realidade, na busca por serem percebidos, jovens de uma geração inteira deixam de perceber a pessoa que está ao seu lado na mesa de trabalho ou do restaurante, para tentarem ser percebidos no mundo virtual das redes sociais, onde o “Sawubona” foi substituído pelo frio botão de curtir.

É um paradoxo que transcende a pessoa e invade as empresas, nas suas relações com os consumidores, internautas, fornecedores, admiradores e críticos da marca e dos seus produtos. Precisam interagir no mundo virtual, para terem mais chances no mundo real. Precisam estimular os internautas, possíveis consumidores ou embaixadores da marca, a conhecerem e interagirem com sua empresa, seu conceito e seus produtos.

Faz sentido, se pensarmos como um modo de perpetuação de negócios, no contato constante com o mercado e suas demandas. Mas é bem aí que desanda. Muitas empresas usam a internet como via unilateral, de mão única, falando muito e ouvindo muito pouco. A essência da “Sawubona” é a retribuição, eu lhe vejo, você me vê. Portanto, eu só existo por causa de você, “Sikhona” no idioma africano!

As pequenas e médias empresas, inebriadas pela facilidade e baixo custo de exposição na web, acabam perdendo a maior riqueza dela, o poder de interação. Grandes empresas já descobriram isso, e tiveram a oportunidade, por iniciativa dos seus admiradores e seguidores, de mudar rótulos, embalagens, fórmulas e até lançar novos produtos.

Este é o desafio das PMEs no mundo virtual. Como, por meio das características da sua empresa e dos seus produtos, elas serão capazes de, ao levantarem questões, identificar e decodificar as manifestações dos internautas a ponto de ajustar seu discurso, seus produtos, seu negócio.

Pode parecer muito difícil, mas não é. O segredo é coerência e disciplina. Coerência, porque a empresa é um ser vivo, que se ajusta diariamente ao mercado, aos seus colaboradores e a demais influências com as quais interage continuamente. Tudo isso em jamais esquecer sua essência, seus valores, suas crenças, sua razão de existir. É, tenha certeza, não é só o lucro. E disciplina, porque a relação é construída gradativamente, contato a contato, post a post, resposta a resposta, produto a produto. Contínua e ininterruptamente.

Existem inúmeras ferramentas para ativar a relação, coletar dados e percepções, enfim, de interação virtual. Mas o sucesso mesmo, só virá com a capacidade de ver o internauta, o seu interlocutor, o seu consumidor. Sem isso, nada funciona. Fique atento e “Sawubona” neles!