Por que o seu cartão de crédito tem números em alto relevo?

Aposto que na sua carteira tem pelo menos cinco cartões: da sua conta bancária, de crédito, de benefício, entre outros. E a maioria deles tem algo em comum, que a maioria dos usuários não se incomoda nem questiona.

É curioso ver como a tecnologia evolui e vai mantendo características, processos ou expressões os tempos anteriores.

Por que no seu cartão de crédito seu nome e os números estão em alto relevo? Já tinha parado para pensar nisso?

Isso vem da época em que não tínhamos tecnologia digital. Não havia internet nem bancos e sistemas conectados.

Ao apresentar o seu cartão de crédito, o dono do estabelecimento pegaria um formulário carbonado (*) em três vias, encaixaria numa plataforma onde também encaixar o seu cartão. Então passaria um rolo sobre eles de modo que o relevo do seu cartão imprimisse seus dados no papel carbonado. Só então preencheria a irmão o valor e a data da compra. Por fim, entregaria para você assinar, destacaria uma via para ele, uma para você e outra para empresa emissora do cartão de crédito.

Era uma operação logística saber quem comprou, quanto e onde gastou. Era necessário esperar a chegada do malote com as vias daquele estabelecimento no emissor do cartão para calcular as faturas.

Faz tempo que a tecnologia mudou, usando no começo tarjas magnéticas e agora chips, que são lidos até sem contato físico por máquinas e sistemas. E ainda assim temos diversos estabelecimentos comerciais emitindo o cartão da mesma maneira que se fazia há vinte anos.

Mais uma mudança neste meio de pagamento que nasceu quando executivo de uma agência de marketing de Nova York saiu para jantar com seus clientes e percebeu que não tinha trazido dinheiro. Deixou o seu cartão de visitas com dono do estabelecimento para voltar posteriormente para pagar. Assim surgiu o primeiro cartão de crédito, inicialmente pensado para os momentos das refeições, o Diners Club.

Apesar de algumas fintechs já emitirem seus cartões sem relevo, o curioso é que estamos em vias deixar de usar cartões físicos como meio de pagamento passando para gadgets e wearables. Periga na sua morte, ainda termos alguns com relevo no seu plástico.

*

Para quem não sabe o que é uma via carbonada, era uma folha de já vinha com carbono fixado no seu verso.

Três mitos que não cabem em 2019!

Toda virada de ano é cheia de desejos, promessas e futuro.

Na minha coluna desta semana na BandNews FM Brasilia falei sobre uma matéria sensacional da revista Entrepreneur, que nos provoca a para de acreditas em três mitos sobre o sucesso nos negócios.

Um deles é de que “quanto mais duro você dá, mais sucesso você tem”. Este mito ignora a estratégia e a colaboração.

Clique e ouça meu podcast, ou se preferir, clique e leia a matéria na integra.

Um 2019 com felicidade, força, foco e fluidez.

Agora em novembro de 2018 foi aprovada a lei desburocratização. Até fiz um post no dia, pedindo que alguém me beliscasse, pois não estava acreditando na notícia. E juro: não era fake news.

Absurdo pensar que num país como o nosso, nos dias de hoje e com tanta tecnologia, ainda existisse uma lei que nos obrigasse a pagar a um órgão para dizer que a sua assinatura é sua. Mais ainda, para provar que aquela cópia do documento que você levou, ou pior ainda, que acabou de fazer na frente da pessoa, não é falsificada.

É triste perceber que partimos do pressuposto que sempre alguém estará fraudando o sistema. A responsabilidade de impedir que isso aconteça é do sistema e não de quem faz correto.

Entendo ainda que parte da perpetuação deste atraso absurdo venha do desejo de garantia de benefícios dos detentores dos direitos desses serviços, como fiscais, cartórios de órgãos afins.

Aos menos atentos e aos mais jovens, lembro que o sistema de cartório é uma herança da colonização portuguesa de carimbos, selos e rubricas. Faz tempo que arrastamos isso.

Com o aumento da busca pela transparência, o movimento tecnológico de blockchain, a digitalização de documentos e integração de sistemas, o passo foi dado na alçada federal.

O desafio agora é fazer essa informação chegar a todos e converter isso em agilidade e autonomia para as pessoas que fazem negócios nesse país.

É um passo importante de grande simbolismo e espero que de grande eficácia. Ainda precisamos estender a desburocratização às esferas estaduais e municipais. Você ainda precisa assinar a transferência do carro na frente do assistente do tabelião, para ele provar que a sua assinatura é sua mesmo.

Agilidade nas operações é um dos pressupostos do atual ambiente de negócios: operações comerciais são feitas em nanossegundos, entregas de produtos são medidas em horas e não mais em dias, mudança de processos, de infraestrutura e de estratégias de negócios são constantemente validadas e implementadas.

O passo foi dado no sentido permitir mais negócios e garantir um ambiente mais competitivo para nosso país ocupe seu verdadeiro lugar no cenário de negócios global. Mas isso só acontece com o ambiente interno equilibrado, ético, dinâmico e competitivo.

Vamos dar mais um passo?

VOCÊ SABE A HORA DE PARAR? – Por que alguns empreendedores continuam insistindo e perdendo dinheiro com algumas ideias?

É curioso como muitos empreendedores simplesmente ficam inebriados com suas criações! O fato é que ideias maravilhosas, mesmo em mercados promissores, nem sempre dão certo.

E o mais curioso é que é algo recorrente, independente da época, independente do país. Aquela sacada para ganhar dinheiro com a Copa do Mundo de Futebol, a grande ideia para aumentar as vendas durante aquele grande festival de música, ou mesmo a nova modalidade de venda ou de atendimento que você criou para se diferenciar da concorrência.

Mudança, inovação, coragem, sempre estiveram presentes no DNA do empreendedor, do empresário arrojado. O risco é que o excesso de coragem, de arroubo, de confiança, o torne míope e prejudique a correta avaliação do resultado da estratégia recém implementada.

Tão importante quanto saber criar e ter a coragem de tentar, é saber perceber que é hora de mudar de rumo, ajustar a estratégia ou mesmo, desistir e parar. Mesmo que tenha muita certeza de que vai dar certo! É aquele momento em que o empresário fica se perguntando… E se eu tentasse só por mais três meses? E seu logo depois que eu parar, alguém começar e der certo? E se eu investir só mais um pouquinho?

Pois este pouquinho pode lhe obrigar a vender o carro para pagar as contas da sua teimosia. Pode custar um ano de lucro. Pode até mesmo lhe tomar a casa onde mora! Assustador? Pois a realidade é exatamente esta. Ainda mais quando estamos falando de empresas de médio e pequeno porte.

Não pense que estou aqui para desmotiva-lo ou desestimulá-los quanto à criação e à mudança. Pelo contrário! Acredito fortemente que a mudança é o que mantem as empresas vivas, o mercado aquecido e clientes e empresários felizes. Entretanto, a velocidade só tem utilidade na direção certa. Correr na direção contrária só o afastará mais e mais do seu objetivo. E pior do que gastar tempo e dinheiro, é gastá-los sem nenhum retorno para a empresa. Ou pior, gastá-los e piorar o resultado!

A relação com o cliente se constrói a longo prazo, mas o resultado da nova ideia vem rápido. Ou não vem! A máxima para novos negócios também vale para novas ideias e estratégias: modelagem é o segredo. Simule a operação em pequena escala e teste se dá certo. Entenda e corrija rapidamente os erros, eles servem para fortalecer o seu negócio. E só então aumente a operação, e seja agressivo nesta fase.

Portanto, ajuste a sensibilidade do seu radar, seja mais crítico antes de colocar uma ideia no ar, tenha controle e acompanhe todo o processo, e tenha a coragem de mudar ou mesmo parar a operação se entender que os esforços não estão trazendo resultados.

Tá esperando o que? Vamos mudar!

A SUA LOJA VAI FECHAR?

Como professor e consultor, tenho uma rotina apertada de leitura, que me mantém informado sobre o que acontece no mundo, mas principalmente, sobre o que pode vir a acontecer.

Numa dessas leituras, me deparei com uma matéria falado sobre o fechamento, nos Estados Unidos, de lojas especializadas em piano. A matéria, do Huffington Post, trazia outra informação ao menos curiosa: o melhor ano de vendas de piano nos Estados Unidos foi 1909, com mais de 360 mil unidades vendidas, contra algo próximo de 30 mil na virada da década. Sempre foi decrescente, ano a ano!

Em janeiro de 2015, foi fechada a última loja deste tipo, na região de Iowa / Illinois, depois de 30 anos de atividade. É um reflexo da inclusão da tecnologia no nosso dia a dia, da intensa relação da nova geração com artefatos digitais e, claro, da comodidade que a tecnologia permite: praticar com fone, a qualquer horário, com diversos timbres, etc… Nada que substitua a beleza e a pureza do acústico, mas o mesmo acontece com as baterias, sem chegar ao fechamento das lojas, mas testemunhando o crescimento das vendas dos instrumentos eletrônicos, frente às baterias acústicas.

Esses movimentos não acontecem do dia para a noite! Foi gradativo e poderia ter sido identificado e utilizado para ajuste de rota.

Veja por exemplo os novos negócios que surgem. Cada nova empresa busca formas inovadoras de se relacionar com os clientes, de ouvi-los com atenção.

Isso os coloca em tempo real com a mudança. Conseguem identificar tendências, desvios, novos padrões, enfim, tudo que possa ajudar na gestão e na perpetuação do negócio e da relação com o cliente, não necessariamente nesta ordem. Faz todo sentido! Mas é bem aí que desanda. Muitas empresas acabam usando a internet de forma unilateral, sem ouvir a rica contribuição do consumidor, sua opinião, suas criticas e sugestões.

Conhecer o ambiente e suas características faz muita diferença. Uma rápida olhada no mundo nos ajuda a perceber melhor as mudanças, ou pelo menos, nos mostra para onde devemos olhar. Um dos caminhos é quantitativo: periodicamente a 100 People Foundation faz um levantamento estatístico do planeta e o reduz a um universo de 100 pessoas! Isso mesmo! Como se o mundo todo fosse uma pequena vila! Neste contexto, por exemplo, nós latinos equivaleríamos a 9 pessoas! Mas somente 5 falariam espanhol e 3 falariam português! 25 não teriam telefone celular e somente 30 teriam acesso a internet!

A resposta de como vender para esta aldeia de 100 pessoas é praticamente a mesma de como vender para os clientes da sua cidade e como manter a sua loja viva: conheça e ouça o consumidor e o ambiente onde ele habita. Caso contrário sua loja será mais uma “loja de piano” a fechar… Fique atento!

FOME DE EMPREENDER – Juntando Educação, Empreendedorismo e Experiência

Desculpe, não resisti ao trocadilho. E já explico.

Ao longo deste ano levei meus alunos de cada uma das turmas dos MBAs onde leciono para uma aula prática. Fomos todos almoçar num Foodtruck Park, local com diversas opções gastronômicas, aqui em São Paulo. Claro que não paguei. O convite era figurado.

A proposta era que, em duplas, almoçassem num foodtruck diferente e depois de viverem a experiência como consumidor, entrevistassem o chef empreendedor com um questionário comum a todos os alunos.

Por ser um movimento bem recente, poderiam obter dados fresquinhos de falhas entre planejamento e execução, erros de análise de cenário, melhores práticas e pontos de atenção. E depois, compartilharíamos tudo entre nós, para entender um padrão, as tendências, erros comuns, os inovadores, etc.

Pedi que entendessem aquele ambiente como um laboratório de inovação e empreendedorismo! E o resultado foi delicioso de comer e de compartilhar.

Muitos dos empreendedores entrevistados cometeram um dos erros mais comuns a todos os empreendedores: falta ou falha no planejamento. A grande vontade de empreender cega-os. Mergulham na ideia, no sonho, sem fundamentação, sem processo, sem indicadores de gestão. Isso os faz perder tempo, dinheiro e clientes.

Outro ponto comum, diz respeito à liderança e à capacitação da equipe. Ser muito bom na competência técnica, como ser um excelente cozinheiro, não o faz automaticamente um grande chef, nem mesmo um grande gestor ou líder. É necessário desenvolver outras competências, que identificamos ao longo do nosso papo, afinal, é um negócio de organograma achatado: o time fala direto com o mais alto executivo do negócio, que também é dono, ou no mínimo, com seu braço direito, um subchefe ou gerente.

Diferentemente de um restaurante ou uma lanchonete, o truck é compacto, cabe pouco estoque, pouca gente e tem pouco espaço para movimentação. Um bom layout até ajuda, mas bons processos são imprescindíveis. Outro ponto é a distribuição correta das tarefas. Muitos colaboradores são multitarefas, podendo ajudar uns aos outros, mas cada um tem que saber a sua exata responsabilidade e a importância dela no resultado final.

Logo, o planejamento prévio do dia é superimportante. Por exemplo, as compras de legumes, frutas e carnes, que são perecíveis. Ou pratos que precisem de um preparo prévio, como a massa de um waffle ou a costela que é feita na véspera para estar perfeita no dia seguinte. O ideal é que não sobre e nem falte. Que não perca dinheiro com descarte de comida nem deixe de vender por falta de produto. Como é um negócio de ciclo curto, é fácil aprender com o erro e fazer os ajustes necessários, caminhando numa melhoria contínua. Mas como muitas vezes também participam de eventos, é difícil acertar a previsão de compras baseada na estimativa de público dos organizadores. Um novo dia, um novo aprendizado, uma nova chance de aprender e acertar.

Aberta a bancada do truck, chega a hora da verdade. Não adianta ter uma produção gastronômica maravilhosa, se não tem ninguém comprando. A atração dos clientes e a conversão da venda são os pontos iniciais, ajudados pela sacada inovadora da abordagem ou do conceito, pelo design e pela comunicação visual: truck adesivado, aventais, camisetas, bonés, embalagens e material personalizados. O storytelling da sua marca conta muito do seu negócio, do espírito da sua comida, das crenças e verdades do empreendedor.

Com clientes, é preciso manter um fluxo, um ritmo. Fila só é bom para o dono. No máximo, mostra ao cliente que a comida é boa. Mas ele não curte muito esperar. Assim, é preciso ficar bem atento.

Resumindo, numa rápida e deliciosa tarde, pudemos ver todo o processo de criação de um negócio, da ideia à execução, bem como pudemos avaliar um ciclo completo do negócio. Os questionários preenchidos foram convertidos no Canvas dos Empreendedores Compulsivos e pudemos ver de forma clara e precisa acertos e pontos de melhoria de cada truckentrevistado!

Trazendo para o seu mundo, já pensou em trazer seus amigos inovadores e empreendedores do seu e de outros segmentos para um bate-papo? Se o empreendedor tem maturidade, este diagnóstico pode ser feito em qualquer segmento. Basta olhos curiosos e atentos, um bom papo e espírito aberto para receber contribuições para melhorar a sua operação. Afinal, uma definição de conceito que gosto muito é a que diz que Melhoria Contínua é melhorar o que está bom! E que inovação boa é inovação aplicada!

Ah… e semestre que vem vamos novamente! #Prepara!

ASSINCRONISMO DE RITMO

Como baterista, sempre me preocupo com o tempo, com o andamento e o sincronismo entre os instrumentos. Chego a ser chato. Fico vendo se aquela frase de guitarra cabe direito naquele intervalo, se o baixista e o baterista estão em sinergia, enfim, se a banda soa como uma coisa única.

O mesmo vale para o mercado. Muitas vezes partimos atrasados para as grandes oportunidades de negócios, de ideias, de vendas e de relacionamento com nossos clientes. E na maioria das vezes culpamos os outros pela nossa falta de ritmo e de sincronismo.

Veja, imaginando que você tenha uma loja de instrumentos musicais, tenho certeza que você já tem um planejamento de compras no segundo semestre de todo ano para ter tamborim para vender no carnaval. Isso é fácil. Mas você está atento aos shows próximos da sua cidade, aos estilos musicais que têm nascido ou sumido, às ondas de novas bandas?

Já pensou em mapear seus clientes e prospects por estilo musical ou banda favorita? Já fez parceria com os principais promotores de shows e casas de espetáculo da sua cidade? Não, né? Pois saiba que hoje tudo está muito integrado. Do estúdio de ensaio, passando pela sua loja e chegando até o show, tudo se conecta. E novas tendências lá de fora podem ser grandes oportunidades ou ameaças ao seu negócio. Para ambas, você deve estar preparado. E conectado.


É você que conta a novidade para o seu cliente ou ele sempre faz aquela pergunta que você não tem resposta? Costuma navegar pelos diversos sites dos fabricantes de produtos e das bandas? Sua equipe tem uma relação boa com seus fornecedores? Estão sempre se capacitando e conversando sobre novidades e oportunidades conjuntas de negócio?


Estar bem informado nunca foi tão fácil e ao mesmo tempo tão desafiador. Entenda que este é um grande diferencial para melhorar a sua relação com seus clientes e por consequência suas vendas. Assinar newsletters das principais empresas do segmento, das principais feiras e das revistas é quase que uma obrigação. Só que prazerosa, afinal, vai estar lendo sobre a matéria prima do seu negócio. Isso vai lhe abrir novos horizontes e novas percepções. E então, com esse monte de novas informações, criará novas conexões e novas oportunidades.

Ainda bem que a tecnologia está ao seu lado. Aplicativos agregadores de notícias, por exemplo, vasculham a internet em busca de temas escolhidos por você, nas revistas e empresas que você determinou, e entregam isso limpinho, todo dia de manhã numa plataforma simples de usar. E na maioria das vezes, gratuita!

Imagine juntar seus clientes para conversar sobre um lançamento de produto ou uma nova tecnologia de gravação que esteja surgindo. Ou sortear por meio das redes sociais, entradas para shows. Ou ainda, fechar pacotes e convênios de cross seling, onde você passa a ser um vendedor do estúdio e o estúdio passa a ser um vendedor da sua loja. E isso vale para todo ponto de contato desta cadeia de negócios da música que estou descrevendo aqui.

Aumentar a vida útil da sua empresa depende da sua atitude e do seu time, frente ao mercado e os seus consumidores. Mais informação, mais assunto. Mais assunto, mais conexões. Mais conexões, mais vendas. Simples assim.

DINHEIRO COM DESCONTO?

DINHEIRO COM DESCONTO?

Acredito que tudo começou na Black Friday do ano passado. Não sei se chamou a sua atenção, mas os bancos ofereceram desconto nos empréstimos! Achei aquilo muito estranho… Parecia um presságio do fim do mundo, mas era uma grande sacada dos bancos tratando o dinheiro como produto. Um bem de extrema necessidade em tempos de crise, porém de alto risco e complexidade para quem toma emprestado. Afinal quem precisa ou está com giro baixo ou já está com seu caixa . O desconto ajuda, mas não resolve.

Desconto para objetos de desejo, caros, de alta tecnologia ou de marca são compreensíveis numa ação como a Black Friday. Na verdade, esse evento nasceu para isso. Mas quando temos instituições financeiras oferecendo vantagens desse porte e nesse formato é importante ficar atento.

Para completar o cenário, ao longo do mês de abril vimos uma enxurrada de ofertas de meios de pagamento – operadoras de pos, as famosas maquininhas – oferecendo taxa zero ao longo de 30, 60, ou até mesmo 90 dias. Isso mesmo! Eles não vão cobrar nada para você usar o sistema. O que o cliente pagar, você receberá integral.

Pegadinha 1: o aluguel é mais alto e você compensa a isenção da taxa no aluguel da máquina. Pegadinha 2: a taxa só serve para quem mudar ou contratar o serviço pela primeira vez e ficar fidelizado por pelo menos um ano com a taxa real que virá a partir dos 30, 60, ou 90 dias de carência.

Está claro que este movimento de aumento do número de competidores no segmento e agressividade comercial para conquista de clientes é resultado da desregulamentação do setor e quebra do monopólio, que ocorreu na virada da década de 2010. Achei inclusive que demorou para que essa competição começasse de fato.

Tudo isso são estratégias comerciais válidas para produtos e conhecidas há bastante tempo. A taxa zero já era usada nos financiamentos de veículos, quando você se comprometia com sinal de 60% e o saldo em 12 parcelas sem juros. O que chama atenção é que a grande maioria dos operadores passa a oferecer o mesmo benefício quase que simultaneamente. O primeiro lança a sacada e os demais copiam rapidamente, às vezes até com prazo maior. Me lembrou até a guerra das telefônicas em 2016, que a cada semana uma copiava a promoção da outra. Chegava a ser divertido. Agressividade comercial e mercadologia sem diferencial claro e sem barreira de entrada. Deu no que deu.

Voltando às maquininhas, nos últimos 10 anos o volume movimentado por cartões por meio delas triplicou, passando de 493 milhões de reais em 2007 para 1.36 trilhão de reais em 2017. Ainda falando sobre números, a expectativa é que em 2025 as transações em cartão ultrapassem as transações em dinheiro vivo no país.

Podemos ter aqui uma grande oportunidade de empurrar as tarifas para baixo e reduzir o custo pesado da operação financeira no país que sobrecarrega todo empreendedor. Desde que foi desregulamentado, economistas estimavam que o custo dessa operação baixasse 25%, mas nesses quase 10 anos só caiu 5%. Tem margem para os bancos baixarem e para nós economizarmos na operação.

Só cuidado para não entrar numa ratoeira que nos prende com contratos e fidelizações.

Fique atento, entenda o movimento e seja proativo. Na siga a manada, crie seu próprio caminho.

Forte abraço e #TenhaCicatrizes.

Alessandro Saade, brasileiro capixaba, descendente de libaneses, empreendedor compulsivo, professor, aprendiz e apaixonado por aprender e provocar.

LAST MILE

O conceito de last mile, ou última milha surgiu logo depois das privatizações das telecoms na década de 1990. As empresas passaram a entender melhor os custos e também começou um crescimento nas ligações internacionais. Então era necessário remunerar as partes envolvidas para que a ligação acontecesse o a última milha pertence a operadora de telefonia cujo destinatário da ligação é o assinante. Assim, ao receber uma ligação da Inglaterra, a minha operadora cobra/recebe um pedacinho da tarifa cobrada de quem me ligou, para permitir que a ligação chegue até ao meu telefone e remunere a sua estrutura, como antenas, hubs e etc.

Pois este conceito migrou rapidamente para o varejo, valorizando o canal de vendas. Assim, uma grande empresa como a Coca-Cola depende de redes varejistas de supermercados ou cadeias de fastfood para que o produto seja comprado pelo consumidor final.

Pensando dessa forma, hoje a última milha está nos apps, que juntam quem compra e quem quer vender. Posso cobrar para que seu produto seja oferecido ao assinante do meu serviço? Não é exatamente isso que fazem 99Taxi, iFood, AirBnB? Cobram para que você e sua empresa acessem seus clientes?

Pois é exatamente aqui que o grande desafio se encontra, em tornar o seu app indispensável para o consumidor e necessário para o vendedor.

Em qual ponta você está? Prepare-se!

Erro de Paralaxe

O título deste artigo me remete aos tempos de aluno de eletrotécnica, dono de estúdio e baterista profissional. Já vai um bom tempo…

Ele diz respeito ao erro que ocorre pela observação errada na escala de graduação causada por um desvio óptico causado pelo ângulo de visão do observador”.  Se você olha da posição errada, a “leitura“ do resultado pode sair sem precisão, apesar da medição ter sido correta.

Trazendo o conceito para o nosso mercado, gostaria de provocá-lo, perguntando de você  analisa o mercado da posição certa. Está acompanhando as mudanças?

No final do ano fui aos Estados Unidos me atualizar num curso de empreendedorismo e uma das muitas revistas que comprei, e li, neste período trazia uma lista de produtos e serviços que desaparecerão ou terão seu momento ou forma de consumo alterados. Não diz respeito direto ao nosso mercado de música e entretenimento, mas nos faz pensar seriamente sobre o que e como estamos fazendo negócios.

Por lá, o CUPCAKE GOURMET foi o primeiro abatido! Chega de frescura. Abusamos da indulgência. Voltemos às simples coberturas de confeitos e vamos comer bolinhos”, dispara a revista. Logo em seguida foram as FRESCURAS PARA PETS! Chega de spa para seu gatinho, aulas de natação para sua tartaruga ou mesmo manicure para seu cachorro. “Eles são animais… Não estão nem aí para isso.” Até as COMPRAS COLETIVAS estão na mira da revista. Vale mesmo a pena comprarmos aquela massagem que não precisamos, com um dinheiro que não temos, só porque está com 50% de desconto? Não é porque todos estão fazendo que vai continuar funcionando. E às vezes jamais funcionou direito mesmo…

Lembro dos meus gravadores de rolo TEAC/TASCAM, lindos, robustos, imponentes, com sua rotação cadenciada,  fazendo os rolos dançarem um verdadeiro balé. Já pensou se não tivessem evoluído para outros tipos de registros sonoros? O negócio deles não é gravar em rolos magnéticos. O  negócios é o registro de som, não importa a mídia formato. É o mesmo princípio que há 30 anos levou a Shell deixar de ser uma empresa de petróleo para ser uma empresa de energia! E desde então, neste novo guarda-chuva cabe tudo: novos patamares tecnológicos, preparo para novas demandas técnicas e jurídicas e, novos insumos energéticos.

Com o nosso mercado não é diferente: foco no cliente, em como ele usa os nossos produtos e serviços e muito cuidado na observação. Se mal analisado, podemos aumentar o problema e não solucioná-lo. Foco no problema ou na solução?

A tônica no curso foi foco no cliente em primeiro lugar. Em segundo lugar, foco no cliente. E para saber o terceiro ponto importante, pergunte ao cliente! Mas preste atenção em como ele fala, se comporta… Isso é tão ou mais importante que a resposta: os músicos jamais responderiam que desejariam um afinador eletrônico acoplado ao instrumento ou à pedaleira. Simplesmente lhe pediriam um diapasão diferente. Em vez de projetores que utilizam o sistema de prisma para gerar diversas cores, os técnicos responderiam que precisariam de um sistema mais rápido e confiável para a troca das gelatinas.

Não seu se já ouviu este caso, mas no inicio do programa espacial, os norte-americanos se depararam com um problema intrigante: as canetas esferográficas não funcionavam sem gravidade, impedindo o registro de informações importantes na missão. Juntaram então seus mais ilustres cientistas, e após um ano e um milhão de dólares,  desenvolveram uma caneta que escreve sem gravidade, em temperaturas baixíssimas e até de cabeça para baixo! Os russos usaram um lápis…

Entenda corretamente o problema, foque na solução, emule o comportamento do seu cliente e desenvolva cenários e encontre a solução correta!