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O desafio da gestão de negócios culturais. No Brasil e no mundo.

Ontem foi decretada a falência da 𝐋𝐢𝐯𝐫𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚.
Frequentei muito o ambiente, li livros para os meus filhos dentro do dinossauro de madeira, fiz reuniões no café, participei de mesas redondas no teatro, assisti a pocket shows sensacionais, como este do John Pizzarelli, prestigiei o lançamento de livros de amigos e de desconhecidos, enfim… Vivi intensamente o espaço.
Recentemente no meu 𝐍𝐨 𝐑𝐚𝐝𝐚𝐫 𝐝𝐨 𝐒𝐚𝐚𝐝𝐞 comentei algumas iniciativas na França e nos Estados Unidos, de livrarias buscando novos modelos, novos formatos.
Triste, mas otimista pela cultura. Essa que não é livraria, mas nos acolhe faz crescer.

#falasaade#educação#cultura

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Tempos difíceis criam coisas incríveis!

Nesta semana comemoramos o dia da Nutella!

Você sabia que este creme de avelã que gera dependência química e psíquica (rs) é um produto que nasceu em função das restrições decorrentes da Segunda Guerra Mundial?

Após o fim da guerra, muitas matérias-primas estavam escassas e com acesso restrito. E não foi diferente com o cacau. O creme foi criado com avelã para compensar a falta de cacau, reduzindo bastante o seu uso na produção.

Este é apenas um dos muitos cases de produtos e soluções criados em momentos difíceis. Alimentação, mobilidade, comunicação, tudo acaba recebendo contribuição para evolução. Restrição e escassez nos obrigam a ser mais criativos, ousados e proativos.

Muitas soluções criadas para momentos de guerra acabaram se tornando de grande utilidade para o nosso dia a dia e utilizamos até hoje. O leite condensado, a scooter Vespa e o celular são algumas dessas soluções.

Ah… depois pesquise, pois você tem usado o leite condensado de forma errada a vida toda.

Também na escassez as desigualdades aparecem de forma mais intensa, destacando a urgência de buscarmos soluções para a fome, para a saúde e demais problemas sociais.

Meu ponto aqui é que não existe o momento ideal, perfeito para a solução ser criada. Pode ser a qualquer momento. Destaco apenas, que em momentos mais extremos isso é acelerado.

Na mesma linha de raciocínio, durante a pandemia, acabamos inventando soluções ou perdendo o preconceito, o medo de utilizarmos tecnologias já existentes e de implementar projetos que vínhamos postergando há tempos.

Inovar e empreender estão na mesma estrada. Acredito que o curativo está para o empreendedorismo assim como a lâmpada está para a inovação.

É necessário um bom entendimento do todo, inconformismo, disciplina, coragem para tentar, tolerância ao erro, persistência e capacidade de integrar diversas visões para construir uma nova.

Assim vimos surgir, em plena pandemia, serviços de curadoria de livros como serviço complementar de livraria, serviços de locação de ferramentas para residência, startups encurtando distância entre o produtor de pequeno porte e os consumidores e muito mais.

Você se viu obrigado durante a pandemia a pensar diferente e criar alguma nova solução para o seus clientes e o seu mercado? No segmento onde você atua aconteceu alguma grande transformação que mudou a forma com a qual você e seus concorrentes operavam? Será que esta não é uma oportunidade para você mudar o jogo?

A frase toda crise é uma oportunidade disfarçada nunca foi tão verdadeira!

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O mercado – e a vida – se movem em ciclos.

Talvez este tenha sido um dos aprendizados mais difíceis que tive para incorporar.

A vida se move em ciclos. O mercado se move em ciclos. O tempo se move em ciclos.

E esses ciclos são evolutivos, como nas etapas do nosso amadurecimento, ou repetitivos, como nas estações climáticas. Também são repetitivos em ciclos de recessão e expansão, de escassez e abundância.

Estamos vivenciando um movimento nas empresas de tecnologia que aconteceu dois anos antes, com a economia real, que colapsou no mundo todo com o lockdown, obrigando empreendedores a reinventarem suas empresas, suas relações com clientes e fornecedores, e seu modelo de negócio.

Pode ser que as empresas de tecnologia tenham acelerado demais durante a pandemia, errado na análise da velocidade do retorno, não levado em conta a desaceleração do mercado mundial, ou estes e mais outro fatores juntos.

Desde a segunda metade do ano passado vivenciamos um cenário de demissões nas grandes empresas de tecnologia. Desde as globais, como Salesforce, Google, Face, Twitter, SAP, até as brasileiras, como Quinto Andar e PagSeguro.

E como tudo se move em ciclos, esta crise nas empresas de tecnologia não é novidade. Na segunda metade da década de 1990, presenciamos um crescimento absurdo no valor das empresas cotadas na NASDAQ, de maneira acelerada e, agora entendemos, artificial. Assim, a partir de 10 de março de 2000 aconteceu o estouro da bolha das “PontoCom”, e ao longo de todo o ano, as empresas de tecnologia apresentaram uma desvalorização em massa, já que seus planos de negócios estavam inflados, prometendo resultados que jamais vieram ou viriam.

Voltando ao presente, o ano de 2023 já começou com a IBM e Amazon ajustando seus quadros em função do resultado ruim do ano anterior.

Também estamos presenciando rodadas de baixa, as Down Roads, quando se aporta capital exigindo uma participação maior do negócio como contrapartida, desvalorizando assim, o negócio.

Mas notem que o valor de uma empresa é, em muito, ligado à sua imagem, ao seu potencial de entrega e não necessariamente seu valor tangível, imobilizado, financeiro. Assim como no mercado de capitais, apostamos no crescimento do valor percebido de uma empresa, para que com seu crescimento ela valorize mais do que fatura, mostrando potencial e melhorando a remuneração de quem apostou nela.

E isso vale para empresas de tecnologia, varejo tradicional e até grandes grupos. Olha as Americanas aí, bagunçando o mercado físico e digital.

Voltando às empresas da economia real, mais precisamente as PMEs sinto que apesar das grandes cicatrizes, as que sobreviveram aprenderam a jogar o jogo.

Os números não são exatos, mas estima-se que mais de 1,4 milhão de empresas fecharam as suas portas em 2021, por diversos motivos, como falta de recursos financeiros, falta de gestão, dificuldade de transição do modelo comercial, problemas operacionais, entre outros. Claro que a falta de dinheiro pode criar um efeito dominó com outros motivos, sendo tanto causa como consequência.

Curiosamente, ou perseverantemente, no mesmo período 1,2 milhão de novos negócios foram abertos. Também tentando entender, pode ser em virtude de demissões em empresas de maior porte, com funcionários buscando renda enquanto não encontram recolocação; funcionários de pequenas empresas que fecharam, buscando ocupar o espaço deixado; empreendedores entendendo o momento como oportunidade para resolverem novos problemas, surgidos com a pandemia.

Entramos no Brasil em um novo ciclo político, nos estados e no governo federal, que definirão parte do cenário onde atuaremos com nossos negócios. A outra parte vem de fora, com influência da economia global, que parece estar mal humorada neste ciclo.

Melhor ter planos A, B e C para seguir em frente. Jamais ficar parado. Afinal, ciclo é sinônimo de movimento e não fazer nada é uma escolha. Ruim.

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A saída para a diminuição da desigualdade social passa pela tributação dos mais ricos?

Nesta semana grande parte da população do planeta direciona os olhos para uma pequena 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗮 suíça com menos de 12 mil habitantes.

Acontece mais um encontro em Davos, do World Economic Forum com líderes mundiais trazendo muitas provocações, projetos e propostas. Inclusive no canal do WEF você consegue assistir ao vivo as reuniões principais. #recomendo.

Quero aqui, trazer uma das 𝗽𝗿𝗼𝘃𝗼𝗰𝗮çõ𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗰𝗶𝗿𝗰𝘂𝗹𝗮𝗺 𝗽𝗼𝗿 𝗹á, proposta pela ONG Oxfam, de origem britânica e com atuação no Brasil: 𝗮 𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝘁𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲𝘀 𝗳𝗼𝗿𝘁𝘂𝗻𝗮, como forma de acelerar a diminuição do abismo social que se ampliou durante a pandemia em todo o mundo, inclusive em nosso país, infelizmente.

𝗔 𝗰𝗼𝗻𝗰𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗿𝗶𝗾𝘂𝗲𝘇𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝟭% 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗱𝗮 𝗽𝗼𝗽𝘂𝗹𝗮çã𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗶𝗮𝗹 𝗰𝗿𝗲𝘀𝗰𝗲𝘂 𝗱𝘂𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲 𝗮 𝗽𝗮𝗻𝗱𝗲𝗺𝗶𝗮, 𝗻𝗮 𝗱𝗶𝗿𝗲çã𝗼 𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗮 𝗴𝗿𝗮𝗻𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼𝗿𝗶𝗮 𝗿𝗲𝘀𝘁𝗮𝗻𝘁𝗲 𝗱𝗼 𝗺𝘂𝗻𝗱𝗼.

Este mesmo cenário deflagrou múltiplas crises – fome, saúde, economia / mercado de trabalho, educação – que juntas, afastam mais ainda qualquer possibilidade de recuperação.

𝗔 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗮 𝗢𝘅𝗳𝗮𝗺 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗲 𝗻𝗮 𝗱𝗶𝗿𝗲çã𝗼 𝗱𝗼 𝗮𝘂𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗮 𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝘁𝗮çã𝗼 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗿𝗲𝗻𝗱𝗮, 𝗰𝗮𝗽𝗶𝘁𝗮𝗹, 𝗹𝘂𝗰𝗿𝗼𝘀 𝗶𝗻𝗲𝘀𝗽𝗲𝗿𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗲 𝗮𝘁é 𝗮 𝗽𝗼𝗹ê𝗺𝗶𝗰𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮 𝗱𝗲 𝘁𝗿𝗶𝗯𝘂𝘁𝗮çã𝗼 𝗮𝗻𝘂𝗮𝗹 𝘀𝗼𝗯𝗿𝗲 𝗼 𝘃𝗮𝗹𝗼𝗿 𝗱𝗲 𝗶𝗻𝘃𝗲𝘀𝘁𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗲𝗺 𝗮çõ𝗲𝘀, 𝗺𝗲𝘀𝗺𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝗿𝗲𝘀𝗴𝗮𝘁𝗮𝗱𝗼𝘀. Como uma tributação sobre a “marcação a mercado”, sobre um valor apenas referencial e não circulante. Aqui vejo problemas pois as aplicações financeiras são uma via de mão dupla entre lucro e prejuízo. 𝗕𝗮𝘀𝘁𝗮 𝗹𝗲𝗺𝗯𝗿𝗮𝗿 𝗼 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗲 𝗶𝗻𝗮𝗰𝗮𝗯𝗮𝗱𝗼 𝗰𝗮𝘀𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗔𝗺𝗲𝗿𝗶𝗰𝗮𝗻𝗮𝘀.

Independente da polêmica, é fato que algo deve ser feito para redistribuir os recursos e garantir a possibilidade de recuperação global das populações com menos oportunidades e privilégios.

Se taxar os extremamente ricos pode mudar os rumos da década, não sei afirmar. Mas é um caminho que faz muito sentido para mim.

Para saber mais, recomendo a leitura da matéria do Nexo Jornal.

Ah… se ficou curioso com o primeiro parágrafo, dê uma googada no que é comuna.

#wef23 #economia #inclusão #esg #politicaspublicas #tributação #wef #davos #social #falasaade

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Tentando explicar porque os Três Poderes foram atacados pelo Quarto e Quinto Poderes

Fiquem tranquilos.

Não é uma newsletter sobre política. É sobre comunicação, influência e seus resultados.

Preciso apenas dar uma rápida contextualizada antes de desenvolver a minha provocação de hoje.

Estamos acostumados ao termo Três Poderes, para identificar a atuação pública do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Está no nosso vocabulário e temos uma imagem do que são, apesar de poucos de nós se preocupar em entender com mais clareza e profundidade como os três funcionam. Fica a dica.

Claro que em algumas situações este cenário equilibrado deixa de existir. Em regimes totalitários, como em alguns países da América Latina, ou teocráticos, como vimos em alguns países árabes, os Poderes Legislativo e Judiciário são fortemente influenciados ou mesmo exercidos pelo Poder Executivo. Mas este é um desvio da democracia moderna, que prevê o equilíbrio e a isenção entre os poderes, extremamente estruturados, regulamentados e auditados.

No período de império no Brasil, havia um Quarto Poder, o Poder Moderador, que era exercido pelo Imperador, com o objetivo de manter o equilíbrio entre os poderes, mas foi extinto logo após a proclamação da República, por motivos óbvios rs

O Quarto Poder que quero falar é a imprensa, que passou a ser assim chamada em meados do século XIX, quando trouxe para si uma função parecida com a do nosso Imperador: evitar abusos dos Três Poderes, buscando manter a democracia em equilíbrio. 

Aqui começo a trazer minhas provocações.

Cada jornalista, cada editor, cada empresário do segmento jornalístico tem uma visão de mundo, uma crença, um viés e é extremamente difícil não colocar isso num texto. Se é um artigo, um texto de opinião, este viés é necessário, até obrigatório. Mas ao se transmitir uma notícia, a narrativa tem que ser isenta, sem comentários ou vieses. Com o tempo, a sociedade passou a entender que o jornal A tem uma visão mais à direita e o jornal B mais à esquerda, e passa a ler com ressalvas, o jornal com visão diferente da sua. Mas é algo explícito. 

Recomendo sempre que se leia as duas visões, mesmo que discorde muito de uma delas.

Desde que eticamente estruturadas, ajudam a construir a nossa visão, independente de como enxergamos o mundo. É algo dinâmico e precisamos “calibrar” nossas crenças e como enxergamos o mundo ao longo do tempo.

Também é “dentro” do Quarto Poder que a publicidade acontece e durante o século XX passamos a vê-la se “travestir” de notícia para levar mais credibilidade à mensagem, o que nem sempre era – ou é – percebido pela audiência.

Com o surgimento da internet, surge um novo e não regulamentado ambiente, perfeito para quem deseja se expressar, mas não tem condição de arcar com os custos de montar uma empresa jornalística. Inclusive o termo blog surgiu da iniciativa de um programador que começou a divulgar sua opinião e visão sobre o conflito na Palestina no seu diário de bordo digital, seu weblog, rapidamente reduzido para blog.

Também sites e portais passaram a oferecer conteúdo no formato jornalístico, alguns deles sem a estruturação anterior e, de forma intencional ou não, passam a entregar textos com um forte viés, como se fosse uma matéria isenta ou cuidadosamente apurada.

Pois é exatamente a internet, esse ambiente caótico, onde todos são fonte, todos são veículo (multiplicadores) e todos são audiência, que se transforma no Quinto Poder.

Todos os poderes na democracia têm a necessidade de construir uma narrativa, um storytelling, um copydesk, para atrair e engajar pessoas que pensem e enxerguem o mundo da mesma forma. Assim você atrai os que pensam igual, identifica e argumenta com os que pensam diferente e cria um ambiente propício ao diálogo, à discussão de propósitos, projetos, e futuros que desejamos para a sociedade em que vivemos (e consumimos).

Um case emblemático sobre o uso correto das redes sociais foi a primeira campanha presidencial de Barak Obama, que se tornou um divisor de águas no uso da internet pelos políticos.

A grande diferença é que os três poderes são burocraticamente estruturados para que possam coexistir e o quarto poder é regulamentado e passível de auditoria (quase sempre).

Quando levamos para a internet, o Quinto Poder ainda não está regulamentado em sua totalidade e ainda permite a construção de narrativas falsas, escritas como notícias. Bem-vindos à era das fake news.

Nunca o mundo esteve tão à mercê da construção de narrativas distorcidas, fora de contexto ou mesmo falsas, propagadas como forma de influenciar pessoas e manipular grupos, como o que acabamos de presenciar estarrecidos, em Brasília, com a invasão e depredação dos prédios símbolos dos Três Poderes.

O ponto central é que não estávamos prontos para termos acesso a tanta informação e ainda não desenvolvemos mecanismos de defesa, que possam nos proteger desses interesses enviesados. 

As redes sociais, criadas pela tecnologia, possuem a capacidade de reter a atenção do usuário, levando-o de um lado para outro em piscinas infinitas, sem que ele perceba. O termo foi cunhado por Jake Knapp e John Zeratsky em seu livro Faça Tempo.

Na mesma linha, o aprimoramento na redação dos textos traz gatilhos mentais como escassez, comunidade, urgência, exclusividade entre outros, levando o visitante do site ou perfil a uma sensação angustiante de reação ao estímulo do texto. O conceito é de 1984, de Robert Cialdini em seu livro As Armas da Persuasão

Junte a isso os algoritmos das empresas de tecnologia e temos a tempestade perfeita!

Presenciamos isso nos últimos dez anos pelo mundo, com a amplitude sem profundidade das relações digitais permitindo que pessoas, entidades e empresas se beneficiem disso: desde a propaganda que exagera nos benefícios do remédio ou na qualidade do produto tecnológico, passando pela foto retocada no app de relacionamento, chegando no discurso nem tão verídico do político.

Por um lado empresas criando ambientes onde seu cliente tem um canal direto de informação e relacionamento, e de outro exagerando nos atributos e criando armadilhas mentais para a venda.

Candidatos políticos, alguns usando a internet de forma correta, para aumentar o alcance de sua voz, e outros de forma leviana, denegrindo a imagem de seus opositores com narrativas não fundamentadas.

Músicos e bandas encontram o ambiente perfeito para divulgar sua arte, e de outro lado, se apropriam da arte alheia sem o devido crédito ou contrapartida.

Pessoas buscando relacionamentos e contato com outras pessoas por objetivos comuns, como hobbies e temas de interesse, e outras criando personagens fictícios para enganar ou prejudicar outras pessoas.

A última pitada desta receita explosiva vem de um comportamento que une os mais jovens e os mais velhos: a propagação de notícias, sem verificação prévia, em seus círculos de relacionamento, em suas redes sociais, fortalecendo e blindando a bolha já criada pelo algoritmo. Uma combinação explosiva, radical e excludente, gerando a percepção de fatos, ações e ambientes inexistentes.

O ser humano é social. Todos querem fazer parte de algo, pertencer a um ou mais grupos: do futebol, da faculdade, da igreja, do trabalho e busca na tecnologia uma forma de estreitar este relacionamento, esta participação.

Que tenhamos habilidade, transparência e determinação ética para revertermos esta situação de cisão política e social em nosso país – e no mundo – aprendendo e reescrevendo a narrativa para que possamos nos aproximar de forma empática e tolerante, buscando soluções e não culpados, tornando o mundo e, principalmente o nosso país, um lugar melhor.

Pode parecer utópico, mas as armas tecnológicas estão em nossas mãos e não têm custo.

Só precisa de ação! Vai se omitir?

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A próxima temporada estreia em Fevereiro de 2023!

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Brasil, Copa do Mundo e Empreendedorismo

Não existe nada tão global quanto o futebol!

Mesmo não sendo “consumido” no mundo todo, todo mundo sabe da sua existência e reconhece quando o vê, assim como a latinha vermelha com a onda branca, da Coca-Cola, ou o excesso de “os” do Google.

Podemos fazer uma analogia entre a Copa do Mundo e o mercado global, além da guerra entre as empresas fabricantes de material esportivo, ou dos patrocinadores da Copa, de cerveja a fabricantes de veículos, com investimento individual a partir de 100 milhões de dólaresAB-InBev, McDonalds, Qatar Airways, além de Coca-Cola, Hyundai e Visa que têm contrato permanente com a Fifa. Nada abaixo de 300 milhões de dólares por edição da copa.

O futebol está dividido em campeonatos e o mercado está dividido em Níveis de Abrangência. Há o Campeonato Estadual (Mercado Doméstico ou Regional); o Campeonato Brasileiro (Mercado Nacional); o Campeonato Sul-americano ou a UEFA (Mercado Multinacional) e a Copa do Mundo (Mercado Global). Esses conceitos de mercado são facilmente percebidos na analogia.

Nem todos os times dos campeonatos estaduais participam dos campeonatos nacionais, e assim evoluem, até chegar a poucas empresas/times/países, que participam do mercado globalizado. Podemos ainda identificar nichos nos mercados domésticos, como a 2a. e 3a. divisões, onde há um outro público envolvido, com outros produtos/times, além dos campeonatos de futebol de várzea ou nos condomínios residenciais, equivalentes ao mercado informal. Isso sem falar dos vídeo-games, os e-sports,  (vendas pela internet) que substituem o prazer do jogo quando não se pode jogar de verdade.

Assim como nem todas as startups de market place ou fintechs serão unicórnios, mesmo que muitos queiram, muitos comércios locais serão sempre locais, mas extremamente relevantes para a comunidade, como aquele time de várzea que une o bairro.

Se compararmos os campeonatos às leis da Biologia, seria a Lei Natural de Seleção do Mais Forte. Só que no esporte, assim como nos negócios, vamos de Darwin, e sua Seleção Natural do Mais Adaptável. E eu complementaria: do mais Inovador e do mais Tolerante ao Erro.

Quanto à gestão, é necessário um grande líder, visionário, focado no futuro e determinado a seguir seus objetivos, sua estratégia, que será transmitida à empresa/time por ele e seu staff. Será que esse é o Tite?

E se a equipe da empresa/time de hoje, para sobreviver no mercado/campeonato precisa de determinadas habilidades, podemos destacar algumas:

Comprometimento – envolvido ou comprometido? A diferença faz toda a diferença… Estou envolvido no clima da copa, mas não me comprometo com os resultados, nem com os treinos de manhã bem cedo e muito menos com o estudo do adversário/concorrência. Faço parte da equipe e meu esforço é uma fração do sucesso alcançado pela empresa ou apenas cumpro ordens e “bato meu cartão”?

Inovação – se não existir o esforço de mudança, ousadia e inovação, sua vantagem competitiva será obsoleta, já conhecida pelo mercado e pela concorrência. De que vale um jogador que sabe um único drible? Ou um time de uma única estrela?

Estratégia – sem ela a empresa/time vive somente para o agora, sem visão de longo prazo. Ganha um jogo nas eliminatórias, mas jamais chegará à final da Copa;

Competência – é a capacidade entender a coisa certa a ser feita e fazer. Entregar resultado mostrando conhecimento e experiência sobre a tarefa, o desafio. Seja na linha de frente, atacando/vendendo, ou na retaguarda, defendendo/produzindo.

Essa competência só vem através do conhecimento de variáveis como as atribuições de jogador/executivo, o ambiente onde estou competindo e o adversário/concorrência.

Porém nada mais está sozinho, ou sem conexão com outros ambientes. Oscilações nos EUA, na Europa, ou a guerra na Ucrânia, impactam diretamente em nosso país, em maior ou menor escala. 

Assim como vimos que a influência externa desestabiliza o ambiente, na seleção, a influência de patrocinadores, torcedores, cartolas e burocratas da comissão técnica tem impacto direto no resultado final da partida. É necessário saber interagir com todos os públicos de interesse, com todos os stakeholders.

Os jogadores são como produtos, consumidos em diversos clubes/mercados. A equação clássica de valor abaixo, pode ser adaptada para o mundo futebolístico.

Se Valor é igual a Benefício Percebido dividido pelo preço e apesar de não podermos somar variáveis de grandezas diferentes, ousaria, para o futebol, apresentar a equação abaixo:

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

E para concluir, não podemos esquecer do exemplo do nosso eterno capitão Cafu, que sendo visto por bilhões de espectadores, dá-nos um perfeito exemplo da coexistência Global e Local ao estampar em sua camisa pentacampeã mundial, a frase “100% Jardim Irene”.

Você está preparado para jogar onde? Vai de várzea ou já consegue jogar no campeonato estadual? Tem um plano para chegar no Brasileirão? E não esqueça que todo mundo, de vez em quando, gosta de jogar online. Afinal, a pandemia provou que todos podemos dar uma jogadinha no e-commerce.

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Diversas visões de um mesmo fato – mais a minha.

Você que me conhece já sabe da minha paixão por livros, pelo conhecimento, pela cultura. A curiosidade é uma grande companheira que me leva a diversos pontos de vista sobre o mesmo tema. Isso me lembra um filme que usa o mesmo conceito: Ponto de vista (Vantage point), com Forest Whitaker, Dennis Quaid e Sigourney Weaver. Fica a dica e o trailer.

Mas vamos aos fatos. Escolhi trazer o mercado de livrarias no Brasil pois ilustra, além do cenário econômico, o esforço para uma transformação cultura, de leitura e de consumo, oferecendo novas experiências aos consumidores leitores.

Mas esta história é mais antiga. Vamos lá!

Lá em 2016…

… comentei na minha coluna da BandNews FM sobre uma livraria em Paris, a Librairie des Puf, da editora Presses Universitaires de France, que havia substituído seu estoque físico de livros por uma impressora super rápida que imprime os exemplares na hora, sob demanda. enquanto você toma um cafezinho. Rápido assim. Inclusive este é o nome da máquina, Espresso Book Machine.

O mercado já não estava para amadores naquela época e fizeram uma redução de diversos andares ocupados pela livraria para uma única loja de 80m2.

Já em 2019…

… trouxe o assunto novamente, mas sob uma outra ótica e para o mercado brasileiro. Com o processo de recuperação judicial das duas maiores redes de livrarias do país, a Cultura e a Saraiva, que na época respondiam por 40% das vendas de livros no país, e com a retração de consumo, diminuindo o número de livrarias no país de 3.095 em 2014 para 2.500 em 2019. O cenário trouxe oportunidades para quem pensa diferente e aceita correr certo risco.

Três empreendedores paulistanos lançaram naquele ano a Livraria Simples, que tinha como foco o serviço de localização e venda de livros esgotados e raros. Também trouxe oportunidade para quem já estava no mercado, como a Free Book, especializado em livros importados, inicialmente censurados pela ditadura em 1976, quando foi fundada, e posteriormente oferecendo livros de design, fotografia, moda e arquitetura.

Mas o que está por trás de tudo é um conceito antigo e irrefutável, presente na fala de um dos sócios, Manuel Teixeira Neto, em matéria da Folha:

“Essa é a essência da livraria. O livreiro vende cultura, saber, conhecimento, sonhos.”

O mercado até inverteu a ordem do modelo de negócio vigente. Antes a livraria abria uma cafeteria dentro de suas instalações. Hoje, cafeterias e bares abrem livrarias nos seus espaços. Um exemplo é a Pulsa, livraria aberta dentro do Bar Das, em São Paulo. A ideia por trás do movimento é oferecer temas de livros convergentes com o perfil dos frequentadores do estabelecimento. É o mesmo movimento feito pela cafeteria Por Um Punhado de Dólares, que abriga agora uma livraria e loja de discos de vinil.

Mais próximo da pandemia, em 2020…

… a criatividade abria portas, bolsos e carteiras. O empresário e livreiro José Luiz Tahan, dono há 20 anos da Realejo Livros, livraria e editora em Santos, viu a interação dos clientes durante a pandemia crescer nas redes sociais, pedindo orientações e dicas de livros, uma vez que todas as lojas estavam fechadas. Pimba: criou o Livreiro em Domicílio, um serviço de curadoria e venda de livros. E no retorno, com a reabertura das lojas o serviço não só continuou, como criou um Clube de Assinatura, onde por R$70,00, o participante recebe todo mês um livro, uma gravura, uma quarta capa especial e uma playlist – olha só! – para embalar a leitura.

Assinatura também foi um caminho trilhado pela Livraria Cultura, com um valor menor, R$14,90 mensais e muita criatividade. O cliente escolhe e leve qualquer livro, um por mês, sem pagar mais nada além da mensalidade. Se devolver a obra em 30 dias, pode seguir pegando outra. Caso não retorne o livro, o membro paga pelo item com 20% de desconto. Mas a gigante dos livros ainda patina em sua recuperação judicial, mesmo depois de fechar 14 das 17 lojas existentes e desligar 90% dos seus colaboradores.

O cenário é bem diferente para a Amazon que sempre foi virtual e aproveitou a pandemia para ocupar espaços. A loja, que começou como livraria e hoje vende de tudo no mundo todo, ainda tem seu próprio gadget de leitura, o Kindle, o que incentiva mais ainda a aquisição de livros, também no formato digital. O risco aqui é um monopólio que pode desestruturar a relação com as editoras. Precisamos ficar atentos.

E na semana passada,

… para encerrar nosso papo em alta, saiu a ótima notícia sobre a Livraria Saraiva, que reverteu prejuízo e conseguiu pela primeira vez, desde que entrou em recuperação judicial, registrar lucro no trimestre. Foram R$29 milhões no segundo trimestre deste ano. E prometem melhorar o resultado das vendas online, que ainda estão em queda, lançando seu novo site em setembro. Estou na torcida!

Muitas visões de um mesmo cenário, não? Cada empresa se encontrava numa determinada situação financeira e operacional, mas estas são apenas algumas das variáveis de gestão. O resultado vem da atitude, de como você reage e não simplesmente do que lhe é apresentado pelo mercado.

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#TenhaCicatrizes

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Nesta edição do Radar, falei sobre: #economia #varejo #consumo #tecnologia #gestao #inovacao #falasaade

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